domingo, 30 de agosto de 2009
Disciplina: Economia da Informação, da Cultura e do Conhecimento
Período: 2009/2
Professor: Alain Herscovici
Apresentação
Pretendemos fornecer os elementos para analisar a economia dos setores ligados à Informação à Cultura, à Comunicação e a todas as formas de produção de Conhecimento.
Esta análise será realizada a partir de dois níveis: o primeiro se relaciona diretamente com as especificidades econômicas dos setores estudados, o segundo com as funcionalidades macroeconômicas desses setores.
Apesar das problemáticas desenvolvidas serem essencialmente econômicas, utilizaremos os resultados provendo das outras ciências sociais, principalmente da Sociologia, da História e das Ciências da Comunicação.
Numa primeira parte, trataremos da Economia dos bens culturais e informacionais, ressaltando suas especificidades à luz das diferentes teorias econômicas; numa segunda parte, analisaremos o desenvolvimento das redes eletrônicas, as diferentes formas de concorrência às quais elas correspondem e a natureza da regulação macroeconômica desta “nova economia”.
AVALIAÇAO
Os temas acompanhados de leituras obrigatórias serão apresentados oralmente por um aluno. O Professor fará, anteriormente, uma apresentação e, depois, fornecerá os elementos complementares.
Após a aula, o aluno redigirá uma nota escrita onde serão incluídas as observações do Professor e dos outros alunos.
A avaliação será feita em função das apresentações orais e do trabalho escrito. Eventualmente, em função do desempenho da turma, uma prova final será realizada no final do período.
Introdução
1) Informação, Cultura, Comunicação e Conhecimento: as especificidades sociológicas e econômicas
2) O debate teórico a respeito do papel e da natureza da Informação
3) Algumas questões de método
4) Capital intangível, sistema de Direitos de Propriedade e natureza econômica dos bens e serviços
5) As principais evoluções históricas: a análise de Fernand Braudel
6) Problemática geral e apresentação do plano de estudo
Dossiê 1
* Herscovici Alain, , Preços e instituições. Revista Ensaios (FEE), Porto alegre, v. 23, n. 1, p. 57-76, 2002.
* ---------------------, Contribuições e limites das análises da escola francesa, à luz do estudo da economia digital. Uma releitura do debate dos anos 80. Eptic On-Line (UFS), v. 11, p. 10, 2009.
---------------------, Capital intangível, trabalho e direitos de propriedade: elementos de análise. In: Maria Lucia Maciel; Sarita Albagli. (Org.). Informaçao e Desenvolvimento: conhecimento, inovaçao e apropriaçao social. 1 ed. Rio de Janeiro: UNESCO, 2007, v. x, p. 318-351.
PARTE I: OS INSTRUMENTOS DE ANÁLISE
I) A ECONOMIA DOS BENS CULTURAIS
1) As modalidades de valorização econômica
1.1 As evoluções históricas das modalidades de valorização social
1.2 Valor de uso, valor de troca e valorização econômica
1.3 Capital simbólico e capital econômico
1.4 As especificidades da inserção do trabalho intelectual/artístico no processo de produção
2) As especificidades sociológicas e antropológicas.
2.1 O campo de produção como espaço autônomo
2.2 Acumulação simbólica e acumulação econômica
2.3 O “Habitus” e as modalidades de apropriação simbólica
2.4 Globalização, cultura mundial e novas formas de territorialidades
3) A análise econômica
3.2 Tipologia dos mercados e rupturas entre os diferentes modelos
3.3 O financiamento: a problemática de Baumol
4) Bens culturais e economia do conhecimento: um paralelo
4.1 Os limites da teoria do valor trabalho
4.2 As modalidades concretas da concorrência
4.3 Valorização econômica e caráter aleatório.
Dossiê 2
* Herscovici , Alain, Economia da Cultura e da Comunicação, Fundação Ceciliano Abel de Almeida/UFES, Vitória, 1995. Capítulos I e II.
-------------------------, Contribuições e limites das análises da escola francesa, à luz do estudo da economia digital. Uma releitura do debate dos anos 80. Eptic On-Line (UFS), v. 11, p. 10, 2009.
* Bourdieu, Pierre, "O mercado dos bens simbólicos", in A economia das trocas simbólicas, SP, Perspectivas, 1974.
* Bolaño, César, Indústria cultural, Informação e capitalismo, Hucitec/Polis, São Paulo, 2000, capítulo 4.
II) A Informação: uma abordagem teórica
1) A análise novo-keynesiana
1.1As abordagens em termos de imperfeições da informação
1.2 A natureza da informação
1.3 Custos de menus e ciclos econômicos
2) A economia da informação
2.1 As assimetrias da informação
2.2 Experience goods e search goods
2.3 Renda informacional e bem-estar social
3) A economia da internet
3.1 Custos de transferência, custos de aprendizagem e concorrência qualitativa
3.2 As redes peer to peer: uma análise econômica
3.3 “Desmercantilização” dos produtos e serviços, apropriabilidade indireta e poluição digital: alguns elementos de análise.
Dossiê 3
* Akerlof, G.,"The Market for "Lemons": Qualitative Uncertainty and the Market Mechanism", Quartely Journal of Economics, Aug.1970, 89.
* Arrow, Kenneth J. ,"Limited Knowledge and Economic Analysis", American Economic Review, March 1974.
* Grossman S.J. and Stiglitz J.E., "Information and Competitive Price system", American Economic Review, May 76, Vol.66 n.2.
* Salop, Steve , "Information and Monopolistic Competition" , American Economic Review, Vol.66, n2, May 1976.
* Herscovici Alain, Economia da Informação, Redes Eletrônicas e Regulação: Elementos de Análise. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 24, n. n.1, p. 95-114, 2004.
* -----------------------, Redes de troca de arquivos e novas formas de concorrência: uma análise a partir das contribuições teóricas de Stigliz, Grossman e Salop, Paper apresentado no colóquio services on line, Paris, 2007
* Liebowitz, S.J., 1985, Copying and Indirect Appropriability: Photocopying of Journals, in Journal of Political Economy, 93.
III) ALGUMAS FORMALIZAÇÕES
1) A análise de Baumol
1.1 O modelo de desenvolvimento desequilibrado
1.2 Informação, feed-back e dinâmica caótica
2) Custos de menu e ciclo econômico
2.1 As hipóteses
2.2 O modelo
3) Assimetrias da Informação, sistema de preços e estrutura dos mercados
3.1 Informação e sistema de preços
3.2 Informação e estrutura de mercado
Dossiê 4
* Mankiw, N. Gregory Small Menu Costs and Large Business Cycles: A Macroeconomic Model of Monopoly, Quartely Journal of Economics 100, May 1985.
* Baumol W.J. Wolff E.N., "Feedback Between R&D and Productivity Growth: A Chaos Model" in Cycle and Chaos in Economic Equilibrium, Jess Benhabib,
* Salop, Steve , "Information and Monopolistic Competition" , American Economic Review, Vol.66, n2, May 1976.
- Baumol, William J., Macroeconomics of unbalanced growth, American Economic Review, June 1967.
* Herscovici, Alain, Dinâmica macroeconômica: uma interpretação a partir de Marx e de Keynes, EDUC/EDUFES, São Paulo, 2002, capítulo VII.
*---------------------, Economia da Informação, redes eletrônicas e regulação: elementos de análise, op. cit..
PARTE II REDES ELETRÔNICAS, “NOVA ECONOMIA” E REGULAÇÃO ECONÔMICA
I) DPI, custos de transação e governança
1) Custos de transação e natureza das externalidades: Coase versus Pigou
1.1 A problemática geral: o “teorema” de Coase
1.2 Social cost, custos de transação e DPI: hipóteses do modelo e limites explicativos
1.3 Incerteza, natureza dos contratos e racionalidade econômica
1.4 A escolha do critério de maximização do bem-estar
2) A análise de Williamson
2.2 Especificidade dos ativos e governança
2.3 DPI e custos de transação
2.4 Racionalidade limitada e escolha da modalidade de governança: as ambigüidades.
3) Um aplicação possível: inovação tecnológica, custos de transação e eficiência social.
3.1 Fragmentação da propriedade e tragedy of commons
3.2 Uma formalização simples
Dossiê 6
* Coase, R. H.1960, The Problem of Social Cost, in Journal of Law and Economics, 3
* Williamson, Oliver E, 2002, The Theory of the Firm as Governance Structure: Form Choice to Contract, Journal of Economic Prospectives – Volume 16, Number 3 - Summer 2002.
* Herscovici, Alain, Conhecimento, informação e custos de transação: uma análise econômica dos Direito de Propriedade Intelectual, texto apresentado no Seminário Internacional” Direitos de Propriedade Intelectual, economia digital e inovação: rumo a um novo paradigma?”, UFES, março de 2009.
----------------------, Capital intangível e Direitos de Propriedade Intelectual: uma
análise institucionalista. Revista de Economia Politica, São Paulo, 2007.
* Stephanie Rosenkranz, Patrick W.Schmitz, Can Coasean bargaining justify Pigouvian taxation? Bonn Econ discussion paper, February 2006.
*Furubotn E.G & Pejovich S., 1972, Property Rights and Economic Theory: A Survey of Recent Literature, Journal of Economic Literature, Volume 10, Issue 4, Dec. 1972.
*Posner, Richard A., 2005, Intellectual Property : The Law and Economics Approach, Journal of Economic Perspectives-Volume 19, Number 2- Spring 2005- Pages 57-73.
*Staler Gary and Spencer David, 2000, A., The Uncertain Foundations of Transaction Costs, Journal of Economic Issues, vol. XXXIV, N.1, March 2000.
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II) informação, conhecimento e ECONOMIA De REDES: A análise MICROECONÔMICA
2) As principais características: o modelo seminal de Rohlfs
2.1 As características econômicas
2.2 Dinâmica de redes e externalidades de demanda
1) As diferentes formas de concorrência
1.1 A concorrência walrasiana
1.2 Concorrência, monopólio e grau de contestabilidade dos mercados
1.3 Preços, complexidade e concorrência qualitativa
3) Redes e concorrência
3.1 Os diferentes tipos de externalidades
3.2 As modalidades da concorrência: uma tipologia
3.3 Um modelo simples insider/outsider
Dossiê 7
* Baumol W., Contestable Markets: An Uprising in the Theory of Industry Structure, American Economic Review, vol 72, n.1, 1982.
* Herscovici, Alain, Direitos de Propriedade intelectual, novas formas concorrenciais e externalidades de redes. Uma análise a partir da contribuição de Williamson, IE/UFRJ, Seminários de pesquisa, 2008.
* Klempler P., 1995, Competition when Consumers have Switching Costs: An overview with Applications to Industrial Organization , Macroeconomics and International Trade, Review of Economic Studies, 1995
-Liebowitch S.J. and Margolis S.E, 1994 Network Externality: An Uncommon Tragedy, Journal of Economic Perspectives, Volume 8, Number 2, Spring 1994. *Rohlfs J., 1974, A theory of interdependent demand for a communication service, Bell Journal of Economics and Management Sciences, spring 1974.
* Katz M.L. and Shapiro C., "Network Externalities, Competition and Compatibility", in American Economic Review, Vol.75 n°3, 1985.
III) REDES, ECONOMIA SEMI-SOLIDÁRIA, Conhecimento E DIREITOS DE PROPRIEDADES
1) A economia dos programas livres
1.1 Os princípios e o copy left
1.2 O conceito de economia semi-solidária: os limites
2) Direitos de propriedade intelectual e novas formas de concorrência
2.1 As evoluções recentes dos Direitos de Propriedade Intelectual (DPI)
2.2 DPI e inovação: as diferentes teses.
2.3 DPI e novas formas de concorrência
3 As novas formas de Propriedade Intelectual
3.1 A tese da taxa de pirataria ótima
3.2 Os diferentes tipos de licenças
Dossiê 7
* Bolaño César (2002), Trabalho intellectual, comunicação e capitalismo. A reconfiguração do fator subjetivo na atual reestruturação capitalista, Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política n.11, dezembro de 2002, Rio de Janeiro.
* Darmon E., Rufini A., Torre D., 2007, Back to Software “Profitability Piracy”: The role of delayed adoption and information diffusion, paper présenté au colloque Services on line, Université de Paris 11 Sceaux.
* Herscovici Alain, Capital intangível e Direitos de Propriedade Intelectual: uma
análise institucionalista. Revista de Economia Politica, São Paulo, 2007.
* Richard R. Nelson, The market economy, and the scientific commons
* Coriat, Orsi, Intellectual Property Rights, Financial markets and innovation. A sustainable configuration? In Issues in Regulation Theory n. 45, Juillet 2003
IV) REDES ELETRÔNICAS E REGULAÇÃO macroeconômica
1) A análise da Escola Francesa da Regulação
1.1 Os diferentes conceitos
1.2 A periodização a partir dos diferentes modos de regulação
1.3 Uma regulação “pós-fordista”?: algumas hipóteses de trabalho
2) A acumulação sob dominância financeira
2.1 As principais características
2.3 Financeirização, especulação e capital intangível
3) Sistemas de Informação e de Comunicação e regulação global
3.1 Fordismo, “pós-fordismo” e Sistemas de Informação e de Comunicação
3.2 Cultura de massa, cultura segmentada e socialização
4) O capital intangível: avaliação e medida
4.1 Os dados estatísticos
4.2 A modificação da natureza do progresso técnico: uma explicação alternativa do paradoxo de Solow
4.3 Uma análise marxiana: os limites da forma mercadoria e o aumento da composição orgânica do capital.
Dossiê 8
* Herscovici, Alain, Capital intangível, trabalho e crescimento econômico: além do paradoxo de Solow, mimeo, 2008.
-----------------------, Contribuições e limites das análises da escola francesa, à luz do estudo da economia digital. Uma releitura do debate dos anos 80. Eptic On-Line (UFS), v. 11, p. 10, 2009.
- Castells Manuel, a sociedade em redes.
* Boyer, Robert, A teoria da regulação: uma análise crítica,
*Chesnais, François “ “Nova economia: uma conjuntura específica da potência hegemônica no conteto da mundialização do capital” in Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política n. 9, dezembro de 2001, Rio de Janeiro, 2001.
- ----------------------, A mundialização do capital, Xamã Editora, São Paulo, 1996.
* Petit, Pascal, Large network service and the organisation of contemporary capitalism, paper apresentado no workshop Globalization and diversity of Capitalism/ New Concepts for a Post-Neo-liberal Era », London School of Economics, on June 23rd and 24th 2003.
- Lima Teixeira, Fransisco, “Tecnologia, organizações e produtividade: lições do paradoxo de Solow”, Revista de Economia Política, Volume 21, n.2 (82), abril-junho/2001.
* : leitura obrigatória
- : leitura complementar
